Para Vinicius Caires, a cadeira era um presente muito desejado


“Presente, presente...”, repetia Vinicius Souza Caires, 4 anos, durante todo o dia que antecedeu o recebimento da sua primeira cadeira de rodas adaptada, doada por meio da FBT. No dia do evento, realizado em junho, ele encantou a todos com a sua alegria ao receber a nova cadeirinha. A mãe, Silmara Caires de Souza da Silva, residente em Campos Elísios, região central, também comemorou. “Estou apaixonada pela cadeira”, disse.


Silmara conta que até então não tinha pensando em uma cadeira de rodas para o filho, porque, apesar da saúde frágil, o menino ainda andava. Porém, ao passar por uma segunda cirurgia no coração, Vinicius sofreu uma isquemia medular, um caso raro, e perdeu o tato e os movimentos das pernas. “O diagnóstico dos médicos é que ele não irá mais andar”, lamenta a mãe.


Já na gravidez, Silmara soube que o seu bebê teria problemas. “Ele não crescia, não se desenvolvia, e os médicos suspeitaram de uma síndrome. Disseram que ao nascer ele teria apenas 4 meses de vida”. O menino passou por diversos exames e, felizmente, a tal síndrome foi descartada. Mas, após o nascimento, Vinicius não se desenvolvia normalmente, não crescia e não ganhava peso. ”Ainda não chegaram a um diagnóstico, mas os médicos acreditam que seja uma síndrome genética”, disse.


Atualmente, com 4 anos, o menino tem o seu cognitivo praticamente preservado, mas o seu tamanho e o peso correspondem ao de um bebê de 8 meses. Em uma verdadeira corrida contra o tempo, Silmara trata Vinicius com médicos de15 especialidades diferentes, além de leva-lo à fisioterapia e à terapia ocupacional. “Durante a semana, eu fico em casa um dia ou no máximo dois, o restante é nos médicos”, disse.


Tanto empenho se justifica devido ao risco de a síndrome provocar a perda de visão e audição. Vinicius também sofre de um problema de pele que pode se transformar em câncer e de um problema renal, adquirido após perder os movimentos das pernas. “Estou sempre cuidando, porque tenho de prevenir”, disse a mãe.


Silmara conheceu a presidente da FBT, Cristina Faviere, cinco meses antes de ganhar a cadeira para o filho, quando estava em uma instituição que oferece tratamento para crianças com deficiência. Naquele dia, a mãe de Vinicius estava aflita porque não sabia como compraria o parapodium (equipamento estabilizador vertical, que favorece a circulação e o alongamento de pessoas com paralisia cerebral), avaliado em R$ 950.


“Estava desesperada, não tinha dinheiro e não sabia como conseguir. A Cristina estava brincando com o Vinicius e eu contei o problema. Daí ela me colocou em um grupo de mães e, graças a Deus, consegui comprar o equipamento usado por R$ 300”. Na mesma ocasião, segundo Silmara, Cristina colocou Vinicius na lista de espera da FBT.


“Estou muito realizada pela cadeira dele. Eu tentava me virar, carregava no colo, mas sei que isso prejudica a postura dele e causa dores no corpo. A vida do Vinicius vai mudar com a cadeira e a minha também, porque será mais fácil levá-lo para as consultas”, disse.


Texto: Márcia Alves | Fotos: Carlos Candido

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