João já doou 19 cadeiras de rodas

Aos 83 anos, ele percorre todos os dias os restaurantes e lanchonetes do Clube Pinheiros para recolher lacres. Com a ajuda da FBT, já doou 19 cadeiras de rodas.


João e Cristina

No famoso Clube Pinheiros, no elegante bairro dos Jardins, uma pessoa se dedica diariamente a recolher lacres de alumínio de latinhas de refrigerantes e cervejas dos restaurantes e lanchonetes do local com o propósito único de adquirir cadeiras de rodas e ajudar pessoas que precisam do equipamento, mas não podem comprá-lo. Com a ajuda da ONG Fazer o Bem Transforma (FBT), que recebe os lacres, vende e entrega a cadeira, a boa ação, praticada há 4 anos por João Clemente de Freitas Junior , já beneficiou 19 pessoas carentes com deficiência ou mobilidade reduzida, a maioria parente ou amigo de funcionários do próprio Clube.

cadeiras doadas por João

Residente na mesma rua do Clube, do qual é associado desde a década de 70 e onde almoça todos os dias, João – que a esta altura já é conhecido como “João dos lacres” – é médico aposentado, tem 83 anos de idade, mas muito vigor e determinação na missão de ajudar o próximo. Ele conta que tudo começou em 2014, quando viu algumas associadas recolherem lacres de alumínio para comprar cadeiras de rodas. Foi, então, que se juntou ao grupo e passou a colaborar. Porém, o material era entregue para uma igreja, que, por sua vez, o repassava para uma entidade social, que comprava e entrega as cadeiras.

Clube Pinheiros

“Não achei lógica em juntar o material para outra entidade fazer a entrega da cadeira”, diz. Quando conheceu Cristina Faviere, idealizadora da ONG FBT, quatro anos atrás, viu que poderia eliminar qualquer intermediação. “Entrei em contato com ela, mostrei meu trabalho e comecei a entregar os lacres e a receber as cadeiras para eu mesmo entregar”, diz. Para conseguir a quantidade necessária para uma cadeira – 140 garrafas pets cheias, equivalentes a cerca de 80 quilos de lacres – João criou uma campanha dentro do próprio Clube Pinheiros, colocando uma garrafa vazia em cada restaurante e lanchonete.


João também direcionou a ação da campanha para o benefício de pessoas indicadas pelos próprios funcionários do Clube, contando com a ajuda destes para recolher o material. E para garantir que nenhum lacre se perdesse, passou a verificar diariamente na reciclagem as latinhas descartadas. Ele conta que para conquistar a primeira cadeira demorou 7 meses para juntar a quantidade de lacres necessária. “Hoje, em 3 meses eu já consigo arrecadar essa quantidade, porque, além das garrafas pets que recolho no Clube, ainda recebo sacolinhas e pacotinhos com lacres”, diz.


Com Cristina Faviere, João conta que aprendeu que é preciso prestar contas do trabalho realizado. Por isso, ele faz questão de registrar os dados das pessoas beneficiadas, a idade, o problema de saúde e ainda fotografa todos. “Porque, de certa forma, a gente tem de prestar contas, demonstrar a eficiência e comprovação de tudo”, diz. Esse levantamento também é importante, segundo ele, porque nem todas as pessoas acreditam que os lacres vão resultar em cadeiras de rodas. “Recebo muita colaboração aqui no Clube, mas um ou outro não acredita, não entende que o objetivo de recolher lacres é ajudar”, diz.


Texto: Márcia Alves

#JoãoClementedeFreitas #CristinaFaviere #FBT

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