Leonilza juntou 120 garrafas de lacres, a maioria recolhida no seu condomínio

Depois das festas realizadas nos cinco blocos de apartamentos, ela recolhe as latinhas e troca por lacres.

Leonilza

Na última semana de março, a ONG Fazer o Bem Transforma (FBT) recebeu 120 garrafas pets de lacres de alumínios doadas por Leonilza Enke, moradora de Interlagos. Mas, se engana quem pensa que ela demorou mais de um ano para juntar tantos lacres. Na verdade, esse volume foi juntado em pouco mais de cinco meses. A principal fonte são as festas dos cinco prédios de apartamento do condomínio onde Leonilza mora.


“Todo final de semana tem festa. Daí, o porteiro me avisa quando termina e eu reviro o lixo para recolher as latinhas. Às vezes, fico até 4 horas da manhã, mas não me canso porque faço com amor”, diz. Embora a família de Leonilza reconheça que todo esse esforço sirva à nobre finalidade de custear cadeiras de rodas para pessoas carentes, não concorda muito com o fato de ela retirar as latinhas do lixo. “Minha mãe, que tem 85 anos, me diz para parar com isso, mas não me importo”.

Leonilza não pretende parar. Ao contrário disso, planeja juntar mais e mais lacres. Ela conta que tem um acordo com um reciclador. “Troco as latinhas por lacres. Inclusive, quando ele não tem lacres, me dá um vale. Agora mesmo, tenho um vale de 32 reais, que deve render mais ou menos umas dez garrafas”, diz. Ela conta que também recebe lacres da padaria do seu bairro e de uma catadora de papelão.

No ano passado, foi visitar a família em Santa Catarina e trouxe de lá 50 garrafas. Aliás, toda a motivação para ajudar a comprar cadeiras de rodas vem da família. Sua sobrinha, de 30 anos, contraiu meningite ainda na infância e perdeu os movimentos dos membros, a audição e a fala. “Minha família fez uma campanha para comprar a cadeira da minha sobrinha. Por isso, sei como é difícil”, diz.


O empenho de Leonilza é tanto que, embora não seja necessário, ela faz questão de separar os lacres coloridos e acondiciona-los em camadas nas garrafas pets, formando uma espécie de mosaico. “Não custa nada para mim, e eu gosto”. Ela encontrou a FBT na internet e de imediato abraçou a causa. “Fiquei comovida com o trabalho da ONG, mexeu comigo. Vou continuar ajudando”, afirma.

Texto: Márcia Alves

#lacres #FBT

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